Sensacionalista chega ao fim

Na madrugada desta quinta feira, o site Sensacionalista anunciou seu fim. Esperamos que a informação seja apenas mais uma notícia Sensacionalista.
Confira a nota divulgada no site:

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Prezados leitores,

É com alegria que anunciamos a marca de um milhão de curtidas em nossa página no Facebook. E é com pesar que também anunciamos o fim do Sensacionalista. Há algum tempo estabelecemos como meta esta marca que alcançamos hoje e apontamos para ela como o símbolo de um recomeço para os autores desse site. Entendemos que cumprimos nosso papel na internet brasileira com o Sensacionalista e agora nos separamos para que cada um possa seguir em suas carreiras almejando novos desafios.Pedimos desculpas aos nossos queridos leitores e amigos pela ausência, mas há momentos em que a dissolução é a melhor forma de recomeçar. Optamos por parar em boa fase, para não incorrer no mesmo erro de outros do passado. Esperamos que entendam e respeitem nossa decisão. Encerramos nossas atividades com a sensação do dever cumprido, de cabeça erguida, com a certeza de que plantamos uma semente e que um dia renderá bons frutos. Obrigado por tudo.

Valeu, Sensacionalista

Vamos dar uma aula de semântica à Globo

A Semântica é um campo de conhecimento dos estudos da linguagem. Não deve nada aos demais campos científicos. Muito menos ao hermético discurso dos jornalistas. Como campo da ciência da linguagem, a Linguística, a semântica é uma área científica. Já o discurso da Globo é achismo. E quem se embasa nele joga o papel de reproduzir achismo com muito ódio de classe embutido.
Pois bem, vamos passar para a Globo um exercício. No enunciado “João comeu a maçã” existe a conclusão de que foi ele quem plantou? E se o enunciado for “João ficou aflito porque viu muita gente comendo a maçã”, podemos concluir que João também comeu a maçã? Qualquer criança de 7 anos, em pleno letramento escolar, diria um taxativo NÃO. A Globo diria que sim.
A Globo tem “consultores de gramática”, esse é o problema. Para quem pauta sua visão de linguagem através de consultores de gramática, representantes da gramática tradicional e normativa, o mínimo que podemos esperar é o desserviço. Há mais de 60 anos cientistas brasileiros de várias áreas da Linguística se comprometem em explicar e apresentar dados, além de sistematizar uma gramática do Português Brasileiro, com traços próprios definidos, muito diferente do Português Europeu. No entanto, a visão de Língua Portuguesa da Globo é ultrapassada e retrógrada. Volta e meia seus canais se dispõem a ensinar o “bom português” ou o “português correto”, como se isso existisse. A Globo não sabe explicar padrão social, que é aquele que usa para discriminar, excluir e execrar sujeitos, e usa a linguagem como seu aparato de poder. Linguistas como Marcos Bagno já escrevem isso há mais de duas décadas, inclusive com trabalhos de impacto internacional, e nem uma linha mudou nessa imprensa fascistoide.
A última da Globo foi se atrever a ser professora de semântica. Lula disse para Mujica, segundo livro publicado: “Neste mundo tive que lidar com muitas coisas imorais, chantagens. Essa era a única forma de governar o Brasil”. Conclusão da Globo, através de publicação em seu jornal: “Lula confessa o Mensalão”. Pergunta-se: Onde estão as marcas linguísticas no enunciado que evidenciam a confissão da corrupção? Onde foi a Globo colher essa conclusão? Com certeza na vigarice editorial de cada dia.
A última da Globo serviu para mais uma vez armar seus telespectadores de ignorância. Enquanto não houver democratização das comunicações, a democratização do conhecimento sobre a linguagem também estará impossibilitada. O jeito é esperar para ver até onde a ignorância, estupidez e golpismo vão chegar.

Gabriel Nascimento é mestrando em Linguística Aplicada pela UnB. Presidente da APG-UnB e diretor da Associação Nacional de Pós-graduandos

Como a mídia pode influenciar no tráfico de pessoas?

A discussão sobre mídia e os meios de comunicação sempre tiveram forte ligação com as lutas enfrentadas pelas mulheres, sobretudo diante da sociedade atual. Isso se dá pelo de fato de que a mídia tem cada vez mais cumprido fielmente seu papel a favor do sistema capitalista, patriarcal e machista. No âmbito capitalista tudo é permitido se o fim for a obtenção de lucro, inclusive vender a imagem de mulheres vinculada a inúmeros produtos como bebidas alcoólicas, eletrodomésticos, matérias de limpeza e maquiagem.
Os rostos femininos atribuídos a esse tipo de propaganda cria em nossas meninas e mulheres o desejo de corpo perfeito e carreira de modelo. Ou seja, elas acreditam que podem ter uma vida melhor financeiramente a partir de seus corpos. Algumas realmente são apenas modelos bem-sucedidas. Mas outras, por azar do destino, caem em um conto onde as promessas são incontáveis e infelizmente acabam nas garras do tráfico de pessoas e exploração sexual.
O filme Desaparecidos (2007) dirigido por Marco Kreuzpaintner, conta o caso de duas pessoas, Adriana, uma menina mexicana de 13 anos que é sequestrada no seu bairro e Veronica, uma mulher polonesa contratada por uma suposta agência para trabalhar como babá. As duas acabam ficando reféns no México e o objetivo dos sequestradores é leva-las para os EUA para serem leiloadas. Na vida real, os valores podem variar de 5 mil a 50 mil dólares. Quanto mais nova, mais cara.
Já no longa-metragem A informante (2010) um caso verídico sobre o assunto é o relatado por uma policial americana, Kathy Bolkovac que foi enviada para a Bósnia e em meio as investigações ela descobriu um cenário de tráfico de pessoas e prostituição comandado por funcionários militares e acobertado pela ONU. A denúncia chocou o mundo e chocou Kathy que declarou “o que me espantou foi que as Nações Unidas sabiam o que estava acontecendo, foi alertada mas houve um esforço consciente em ignorar”.
Ambas as histórias denunciam essa prática e como a sociedade a encara. De um lado temos os exploradores e pedófilos capazes de pagar uma quantia incontável que lhes atribuem poder fazendo com que suas pegadas no crime sejam deletadas com facilidade. Do outro lado temos uma mídia que distorce os fatos e os órgãos competentes que se calam quando são confrontados. A pergunta que fica no ar é quem realmente está preparado para resgatar as vítimas ou no mínimo se certificar para que os casos não aumentem.
No Brasil a pena para tráfico internacional de drogas é bem maior que a pena para tráfico internacional de pessoas (3 a 8 anos de reclusão). O que deixa implícito que tirar a liberdade e a dignidade de uma pessoa, explorando e escravizando-a é só mais um crime qualquer.
As principais redes televisivas brasileiras que em geral é o único meio de informação da grande massa vêm pautando há décadas o que deve ou não ser falado. Há décadas que problemáticas sociais tão desumanas são tratadas como condutas normais. Vale lembrar que culpar as vítimas de tráfico por quererem sair da extrema pobreza e de zonas de conflito por sonharem com uma vida estável para a família é como justificar o estupro porque “a moça estava com uma roupa curta demais”.
Enquanto a ideia de culpabilidade da vítima estiver impregnada na cabeça da maioria das pessoas e as mulheres forem tratadas como mercadorias o tráfico ainda será considerado como um crime invisível. A sensibilidade da sociedade diante desse fenômeno é a única maneira de diminuir consideravelmente o número de casos que vêm crescendo a cada ano. Falar do assunto de forma aberta e sensata irá contribuir para que cada cidadão não se cale. Denuncie!

Elisa Manuela Ferreira Cardoso – Jornalismo na PUC – Goiás

Protestos no dia do aniversário da Globo dizem não ao monopólio e à manipulação

Por Bia Barbosa*

Depois de uma semana de programação televisiva exaltando seus próprios feitos em celebração ao aniversário de 50 anos, a Rede Globo recebeu visitantes não-convidados para a festa na porta de diversas de suas emissoras pelo país. Em capitais como São Paulo, Brasília, Belo Horizonte e Porto Alegre, movimentos sociais e ativistas se reuniram diante das sedes da Globo para dizer não ao monopólio e à concentração da mídia no Brasil, e sim à diversidade e à pluralidade nos meios de comunicação de massa. A Globopar, holding que não inclui os jornais e rádios do grupo, já é hoje a 5a maior empresa brasileira em lucro líquido, e sua receita representa mais de 60% do capital do setor no país. Continuar lendo

Os 50 anos da cruzada global contra a juventude

Nesse último domingo a Rede Globo completou 50 anos de seu maior império, a TV aberta. Dentro de um conglomerado de canais, jornais, revistas, rádios e a TV aberta, a rede dos Marinho tem muito a comemorar de sua cruzada contra a juventude e a democracia.
As juventudes foram as que mais sofreram com essa cruzada nas últimas décadas. Tendo sido ogerada na ditadura, a TV aberta sempre deu apoio irrestrito aos militares, reproduzindo o trabalho que já vinha sendo feito pela redação de O Globo. Não por acaso, na década de 80 todas as TVs do território nacional estavam ligadas na telinha.
A cruzada da Globo contra a democracia sempre atingiu em cheio a juventude. Durante os 21 anos de regime militar, os jovens foram tratados como animais. A livre organização era proibida e qualquer grupinho reunido em círculo era motivo para vigilância máxima. Os tempos ficaram mais duros depois da edição do AI-5 em 1968. A cruzada da operação Bandeirantes chegou ao Brasil na caça aos comunistas materializada na caça às liberdades individuais. A liberdade de organização e de pensamento da juventude sofria ali o seu maior golpe. Sem poder pensar e se organizar, a juventude estava destinada à clandestinidade.
Eram tempos difíceis da Ação Libertadora Nacional, MR8 e VAR-Palmares. Eram tempos da guerrilha armada. Mais tarde um pouco, jovens comunistas iam se lançar nas matas ao longo do rio Araguaia para organizar os trabalhadores rurais e se voltarem contra aquele regime ilegítimo.
Nas telas e nas capas dos jornais aqueles jovens apenas eram narrados como terroristas perigosos.  Essa é a rede que sepultou Honestino Guimarães, Helenira Rezende e Ieda Delgado. É a rede que se calou diante da morte do secundarista Edson Luís. Foi a Rede Globo que pisou sobre o sangue dos mais de 100 jovens da Guerrilha do Araguaia. É a Globo uma das maiores instituições herdeiras da ditadura. É o seu ovo tenebroso brotando os autoritarismos na democracia.
Vivemos tempos difíceis em nossa democracia com uma concentração nas comunicações e uma imobilidade do Estado diante da falta de democratização. É preciso reagir, é preciso descomemorar esses 50 anos de desserviço e ataque à juventude que a Globo vem prestando para o Brasil.

Gabriel Nascimento é mestrando em Linguística Aplicada, diretor da ANPG e presidente da APG-UnB