Por que a morte de mais uma travesti não causa indignação?

Há mais ou menos duas semanas, o Brasil parou ante a afronta de uma transexual  “crucificada” em uma analogia a crucificação de Cristo.

Sob terríveis acusações, a atriz Viviany Beleboni foi, inclusive, ameaçada de morte pelos ditos cristãos que se virão inferiorizados pela representação simbólica de uma mulher transexual ocupando o papel de um homem.

O que na realidade Viviany queria, era denunciar as inúmeras vítimas da transfobia e da homofobia no Brasil, o país que mais mata travestis e transexuais no mundo.

No último dia 20, a jovem travesti Laura Vermont, 18 anos, foi brutalmente assassinada por dois policiais, que sem motivo algum aparente, deram cabo à vida de uma jovem. Ela é mais uma dentre as tantas outras que são vítimas diárias da intolerância a diversidade sexual, e que vêem violados os seus direitos de ser quem é.

A família viu Laura pela última vez na sexta-feira (19), antes que ela saísse com algumas amigas para participarem de uma festa que acontecia na avenida Nordestina, uma das mais movimentadas da periferia da zona leste de  SP.

Por volta das 4h do sábado, ela foi vista caminhado desesperada pela mesma avenida, ensaguentada e desorientada, em busca de socorro. Uma pessoa que poderia ter salvo sua vida, preferiu gravar sua agonia. Avisada sobre a situação da jovem por uma ligação feita ao 190, a Polícia Militar mandou um carro para socorrê-la.

Os PMs Ailton de Jesus, 43 anos, e Diego Clemente Mendes, 22, foram presos em flagrante após mentir para a Polícia Civil sobre um tiro disparado em Laura, em uma tentativa de incriminar a vítima.

No boletim de ocorrência os PMs alegaram que Laura estava “fora de si” e que tomou o controle da viatura, partindo em alta velocidade. A farsa foi logo descoberta pelo pai da vítima “minha filha não sabe dirigir”, disse o comerciante Jackson de Araújo.

O plano para tentar incriminar Laura e culpabiliza-la pela própria morte foi milimetricamente traçado pelo chefe daquela operação, Aílton de Jesus que coibiu seu companheiro de turno de falar a verdade, forjando, inclusive, uma “testemunha”, um jovem de 19 anos.

A nova farsa do policial foi de imediato descoberta pela delegada e os investigadores do 63º DP. A precisão no depoimento, sempre de acordo com os fatos apresentados pelos policiais, e o mais importante, antes de depor à delegada, a testemunha ficou cerca de meia hora conversando com os dois policiais, sem que houvesse ciência de que ele era uma testemunha presencial do ocorrido naquela madrugada de sábado, foram suficientes para que a verdade viesse à tona.

Sem ter mais o que fazer e sem provas a forjar, Ailton assumiu a culpa pelo assassinato da travesti, e afirma que atirou contra a jovem “porque ela havia apresentado resistência e porque os meios menos letais mostraram-se ineficazes para vencer a resistência e a iminência de injusta agressão”. Ainda sobre a deturpação dos fatos como realmente ocorreram, o PM disse à Polícia Civil “ter receio de se prejudicar e sofrer represálias da lei”.

O caso foi registado pela Polícia Civil como “homicídio simples”, conforme informou a SSP, o que pode abrandar a pena do policial, que em um ato de covardia, ou preconceito, tirou de forma precoce a vida de uma jovem que naquele momento encontrava-se debilitada e consequentemente incapaz de lutar com uma pessoa teoricamente treinada e apta para agir em situações como essas.

Aílton atirou em uma pessoa por ter apresentado resistência. A pergunta é: em toda sua vida profissional, quantas vidas mais ele pôde ter tirado porque “o suspeito” apresentou resistência?

Rota 66

O forjamento do crime e a deturpação dos fatos para culpabilizar a vítima, conforme afirmação do réu, é a herança que a polícia militar do estado de São Paulo tem da Rondas Ostensivas Tobias Aguiar (ROTA), que na década de 1980 matou milhares de inocentes por pura diversão.

Os policiais sempre se sobressaíam no jogo do “uma mão lava a outra”. Ou seja, os próprios policiais eram os responsáveis pelos inquéritos e um inocentava o outro, conforme comprovou o jornalista Caco Barcellos em seu livro “Rota 66”.

Tiago Minervino

Via Vamos Contextualizar

A crucificação é todo dia, UJS contra a LGBTfobia

A Parada do Orgulho de São Paulo é o movimento social que acumula todos os anos centenas de milhares de pessoas, mobiliza além da cidade e estado de São Paulo, muitas outras regiões do Brasil. A grande participação da comunidade LGBT se dá por muitos motivos, mas principalmente por que os dias em que se realizam as Paradas são os únicos, e poucos do ano, em que os nossos afetos, a nossa luta por sobrevivência e o nosso amor tomam às ruas.

Tomar as ruas significa ocupar um espaço que deveria ser de pertencimento de todas e todos, mas que para nós não o é. Nas ruas é que somos achincalhados, violentados física e moralmente, mortos e mercantilizados pelo sexo. Demonstramos que queremos um espaço democrático, livre e de igualdade para ocupar a totalidade das cidades, e não só os nichos mercadológicos destinados a nos esconder.

As lutas que travamos hoje por direitos civis fazem parte do nosso dia a dia e influenciam nas nossas vivências futuras, a retirada da Homossexualidade da lista de patologias da OMS, a União Homoafetiva, o Nome Social, a Adoção, a Criminalização da LGBTfobia entre tantas outras culminam na defesa da liberdade de se expressar, da dignidade da pessoa humana e de amar.

Acreditamos na liberdade religiosa, LGBTs também podem ser católicos, evangélicos, espíritas, umbandistas, candomblecistas, agnósticos além de optar por não ter crença alguma. As crenças são de foro íntimo e devem ser respeitadas.

Com relação a polêmica em torno da “crucificação” na Parada Gay, é necessário entender o contexto em que foi utilizada para evitar novas e maiores hostilidades contra os LGBT’s. A encenação, inclusive, teve isso como objetivo. Mostrar que milhares de pessoas permanecem sendo agredidos, assassinados – e por que não crucificados – por conta unicamente da orientação sexual e da identidade de gênero que assumem.

A opção pela imagem da cruz talvez tenha sido para provocar uma reflexão entre aqueles que, se utilizando de prováveis preceitos religiosos, reproduzem as mais duras opressões. Se esse foi o objetivo, julgamos correta a iniciativa e manifestamos nosso apoio. A tolerância entre todos os segmentos étnico-culturais, religiosos e de gênero é fundamental para o avanço e aprofundamento da democracia em nosso país!

É possível identificar em diversos meios de comunicação, grandes e pequenos, impressos e digitais, de grande relevância social ou não a figura de outras ‘crucificações’ que não ganharam repúdio, mas a resposta está aqui, a figura atentatória e inadmissível é da Transexual, é da LGBT.

Devemos repensar os julgamentos, não foi demonstrado em momento nenhum intolerância religiosa, já foram intolerantes conosco. Não demonstramos em nenhum momento ódio às pessoas religiosas ou à imagem cristã, já demonstraram ódio contra nós.

A construção da expressão ‘Pecado’ se deu por mais de um milênio de história, pelas Igrejas (‘Santa’ Inquisição), pela Monarquia, pela Burguesia, pelo Sistema Capitalista e arraigada na mente das pessoas fez sangrar muitas mulheres e muitos LGBTs ao longo dessa nossa história da humanidade, a apropriação deste discurso continua causando derramamento de sangue.

Iremos continuar ocupando as ruas, lutando pela liberdade de amar, lutando por direitos civis, lutando pela construção do socialismo e principalmente lutando para que Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transsexuais não sejam ‘demonizadxs’ e Crucificados todos os dias.

Por: Frente Nacional LGBT UJS

“Travesti crucificada” na Parada fala sobre polêmica e diz que viveu homofobia e transfobia

“Representei todas as mortes e agressões que vem acontecendo contra a classe LGBT e também por falta de leis. Jesus morreu por todos, foi humilhado, motivo de chacota, agredido e morto, é o que vem acontecendo diariamente com LGBTs”, defendeu.

A modelo Viviany Beleboni dividiu opiniões no domingo (7) ao aparecer crucificada e cheia de hematomas na 19ª Parada do Orgulho LGBT de São Paulo. Tanto por parte de fundamentalistas religiosos quanto de pessoas que compõem a diversidade sexual e de identidade de gênero. No discurso, enquanto alguns criticavam a comparação com Jesus e diziam que a manifestação estava apelativa. Outros defendiam que ela conseguiu transmitir a mensagem dos crimes que rondam a comunidade LGBT e de como ela é crucificada pela sociedade.

Em depoimento, Viviany – que é uma travesti já conhecida por trabalhos fotográficos e participações em programas de TV – declarou que a ideia não foi ofender a religião. Ao contrário, foi representar os homicídios que lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais sofrem no Brasil, baseados na ideia da crucificação diária e recorrente da cultura homofóbica e transfobia.

“Representei todas as mortes e agressões que vem acontecendo contra a classe LGBT e também por falta de leis. Jesus morreu por todos, foi humilhado, motivo de chacota, agredido e morto, é o que vem acontecendo diariamente com LGBTs”, defendeu.

Durante o percurso, Viviany diz que não pensou nas polêmicas, mas que lembrou das vários amigos que morreram vítima da homofobia e transfobia. “Chorei lembrando de amigas minhas que faleceram há alguns dias. E é por isso que digo que as críticas aparecem de quem é iludido ou nunca sentiu o preconceito”.

A modelo lamentou as críticas vindas da própria comunidade e ressaltou que o grupo é desunido. “Se fosse um homem sarado e com volume aparecendo as pessoas iriam amar, tirariam fotos e fariam comentários positivos. Dei a minha cara a tapa e sabia que isso poderia acontecer, pois é uma classe desunida”, afirmou, destacando que Madonna e Lady Gaga – divas e ícones gays – já abordaram a cruz em suas performances e foram ovacionadas.
Sobre as imagens serem fortes ou agressivas, ela diz que faz parte da composição. “Sai purpurina ou confete de agressão? É hematoma, é a realidade. O dia em que vocês sofrerem agressões, xingamentos, apanharem, que fizerem piadinhas de vocês, não reclamem e nem digam que a imagem que veem no espelho está forte”.

Via ACapa

‘Jesus Cura a Homofobia’: Evangélicos farão marcha contra a intolerância na Parada Gay

Pastores, fiéis evangélicos e católicos farão um ato contra a homofobia na Parada Gay, que acontece no domingo (7). Eles marcharão na Avenida Paulista com a missão de combater a intolerância e violência praticadas por fiéis à comunidade LGBT.

Mais de 431 pessoas já confirmaram presença na página do evento no Facebook. A marcha “Jesus Cura a Homofonia” se contrapõe à “cura gay”, projeto sugerido pelo deputado federal João Campos (PSDB-GO). Ela está marcada para às 9h30 da manhã, em frente ao Conjunto Nacional.

Com cartazes como “Somos evangélicos. Malafaia e Feliciano não nos representam”. “O maior valor bíblico é o amor” e “Deus respeita suas escolhas! Nos também respeitamos”, o objetivo do evento é protestar contra a homofobia — principalmente entre os religiosos.

Esta semana foi palco da intolerância de alguns grupos evangélicos e cristãos à comunidade LGBT. Após O Boticário divulgar sua campanha para o Dia dos Namorados, na qual aparecem casais gays, o pastor Silas Malafaia publicou um vídeo em que convoca o boicote à marca, uma vez que os gays “querem mudar um paradigma da sociedade” e que o homossexualismo (sic) é “é comportamento e não condição” e, por isso, é passível de ser condenado.

Além de Malafaia, religiosos e defensores da “família tradicional brasileira” registraram queixa no Reclame Aqui, site de reclamações de consumidores, e ao Conar, órgão que regula a publicidade brasileira.

Via Brasil Post

Após protesto de Malafaia, aprovação ao comercial do Boticário aumenta nas redes sociais

Após protesto de Malafaia, aprovação ao comercial do Boticário aumenta nas redes sociais

O boicote proposto pelo por Silas Malafaia à marca de perfumes O Boticário pode ter sido um tiro no pé do pastor.

Pesquisas realizadas por uma empresa de consultoria especializada em internet descobriu que a aprovação ao comercial que mostra homossexuais trocando presentes da marca subiu após o pastor protestar.

O boicote proposto pelo por Silas Malafaia à marca de perfumes O Boticário pode ter sido um tiro no pé do pastor.

Pesquisas realizadas por uma empresa de consultoria especializada em internet descobriu que a aprovação ao comercial que mostra homossexuais trocando presentes da marca subiu após o pastor protestar.

De acordo com nota de Lauro Jardim, o comercial do Boticário vinha dividindo as redes sociais, com número equivalente de aprovação e rejeição. “A campanha publicitária do Boticiário do Dia dos Namorados que mostra casais homossexuais está dividindo opiniões na internet. Segundo levantamento inédito da consultoria Bites, o vídeo oficial da campanha teve 145 602 curtidas positivas no YouTube e 145 593 negativas”, informou o jornalista no dia 02 de junho.

Esse era o cenário antes do vídeo publicado por Malafaia ganhar repercussão nas redes sociais. Após a manifestação do pastor, o número de pessoas que se colocaram a favor da marca de perfume aumentou em mais de 100 mil.

“O vídeo da perfumaria, em que casais hetero e homossexuais comemoram o Dia dos Namorados, fechou o dia de ontem com 1,4 milhão de visualizações no YouTube, número que chegou a 1,9 milhão hoje. Quem esperava uma enxurrada de críticas evangélicas, no entanto, viu que o vídeo foi curtido 247 317 vezes e teve 161 768 desaprovações, de acordo com a Bites Consultoria. O placar no Twitter foi dez vezes mais favorável ao Boticário: 60 542 menções, contra 5 905 de Malafaia. Em número de impressões, ou seja, no número de vezes em que os usuários foram expostos a postagens sobre estes temas, o Boticário também goleou o pastor: 180 milhões contra 17 milhões”, informou Jardim, já no dia 03 de junho.

No entanto, o pastor Silas Malafaia entrou em contato com o jornalista para responder às suas publicações, dizendo que “não perdeu porque não vende nada”, e argumentou ainda que ter 1,9 milhão de visualizações não indica que todos gostaram do vídeo da marca de perfumes.