Cunha faz pronunciamento e é alvo de ‘panelaço’ em cidades no país

O pronunciamento de Eduardo Cunha (PMDB-RJ), presidente da Câmara dos Deputados, em rede nacional foi acompanhado por protestos em forma de barulho nas ruas do país nesta sexta-feira (17). A manifestação, chamada de “barulhaço”, foi convocada pelas redes sociais por estudantes cariocas.

Em São Paulo, houve registro de panelas sendo batidas na Vila Madalena e no Alto da Lapa, bairros da zona oeste da capital paulistana. Em alguns bairros da região central, como Higienópolis, Bela Vista, Cambuci e Aclimação, além da região da av. Paulista, também houve panelaço.

No Rio de Janeiro, foram ouvidos sons de panelas batendo em pelo menos quatro bairros da zona sul –Ipanema, Botafogo, Flamengo e Laranjeiras, além da Tijuca, na zona norte.

No Centro-Oeste, foram registrados episódios em Goiânia e Brasília.

No Nordeste, foram ouvidos protestos em Salvador, Maceió, João Pessoa, Recife e Natal. Belém foi a capital do Norte onde houve “barulhaço”.


Manifestantes fazem “barulhaço” contra o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, na praça São Salvador, no Largo do Machado, Rio de Janeiro (RJ), durante discurso do parlamentar na TV

Durante a tarde desta sexta, Cunha fez uma tentativa de abafar os possíveis processos por meio de uma ação em redes sociais, chamada de “aplausaço”.
Pedidos pelo barulhaço começaram também pelas redes sociais

Na convocação, os organizadores chamavam apoiadores para o protesto contra a “impunidade nos 23 processos em que Eduardo Cunha é réu por corrupção, contra redução da maioridade penal como prioridade no combate a violência, contra o atropelo do regimento Legislativo, contra o financiamento empresarial de campanhas, contra o fundamentalismo religioso, contra o machismo, contra a homofobia e contra a sabotagem da democracia”.

Até as 20h, o evento no Facebook tinha sido visto por 2,3 milhões de pessoas e reunia 66 mil adesões. Entre os apoiadores estão movimentos sociais contrários à redução da maioridade penal e ao racismo, feministas, LGBTs e militantes de partidos de esquerda.

O presidente da Câmara foi alvo também de um “tuitaço” durante a tarde. A hashtag #CunhaNaCadeia entrou nos Trending Topics mundiais da rede social e, às 19h desta sexta-feira, ocupava a segunda colocação na lista global.
Rompimento com o governo

Os protestos ocorrem após Cunha ser citado em delação premiada na Operação Lava Jato por Júlio Camargo, consultor da Toyo Setal, como destinatário de propina no valor de US$ 5 milhões e ter anunciado oficialmente o rompimento com o governo federal.

A decisão de rompimento do deputado carioca não teve o respaldo do PMDB, seu partido, nem de siglas da oposição. Líderes oposicionistas classificaram como “muito grave” o anúncio feito pelo peemedebista, especialmente se novas denúncias surgirem contra o parlamentar.

Evento no Facebook, promete barulhaço durante pronunciamento de Eduardo Cunha

11742737_1033773639980814_5078758169333389037_nEduardo Cunha (PMDB-RJ) fará um pronunciamento em cadeia nacional de rádio e TV na sexta-feira da semana que vem, dia 17.
Será das 20h25 às 20h30 e dirigido pelo marqueteiro Paulo de Tarso, que auxiliou a campanha do senador e candidato derrotado à Presidência Aécio Neves.

Link do evento no Facebook

Cunha foi ‘destinatário’ de propina, diz Youssef Comente

Curitiba e São Paulo – O doleiro Alberto Youssef afirmou na quarta-feira, 13, à Justiça Federal que o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), era um dos “destinatários finais” da propina de cerca de R$ 4 milhões em contratos de navios-sonda da Petrobras investigados pela Operação Lava Jato.

O doleiro reafirmou sua versão de que Cunha foi o mentor de requerimentos feitos na Câmara para pressionar a empresa Mitsui, que não estaria pagando a propina em 2011. Ele disse que foi procurado pelo executivo Julio Camargo após estes requerimentos. “Fui chamado em 2011 pelo Julio Camargo no seu escritório, onde ele se encontrava muito preocupado e me relatou que o Fernando Soares, através do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), havia pedido alguns requerimentos de informações referentes aos contratos da Mitsui, da Toyo e do próprio Julio Camargo, através de outros deputados”, relatou ao juiz Sérgio Moro.

“Quando o senhor conversou com Julio Camargo ele falou quem eram os beneficiários das operações? Ou ele só falou no Fernando Soares?”, perguntou o magistrado. O doleiro respondeu: “Falou no Fernando Soares e contou a história da pressão que o Eduardo Cunha estava fazendo para que ele pudesse pagar o Fernando Soares, dando entendimento que esse valor fosse também na época para o deputado.”

Mais tarde, questionado pelo seu advogado sobre quem seriam os “destinatários finais” desta propina, Youssef reiterou ter ouvido de Camargo que eram “Fernando Soares e Eduardo Cunha”.

Questionado, Youssef também confirmou que as propinas eram relativas aos contratos de navios-sonda.

Fernando Baiano, Julio Camargo e o ex-diretor de Internacional Nestor Cerveró são réus em processo sobre suposto pagamento de US$ 30 milhões em propinas na contratação de duas sondas de perfuração para exploração de petróleo. O presidente da Câmara vem negando com veemência o envolvimento no esquema de desvios na Petrobras.

No fim do mês passado, o ex-diretor da área de informática da Câmara Luiz Antonio Souza da Eira disse em depoimento a procuradores e à Polícia Federal, um dia após ser demitido por Cunha, que a versão inicial do requerimento da auditoria do sistema de informática da Câmara foi gerada com a senha, “pessoal e intransferível”, de Cunha. O documento final foi apresentado pela ex-deputada Solange Almeida (PMDB-RJ).

Silêncio

Em seus depoimentos, o ex-diretor de Internacional da Petrobras Nestor Cerveró e Fernando Baiano adotaram o silêncio diante de Moro.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Deputados da bancada da bala são barrados por estudantes em corredor da câmara

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Foto: Joaquim Dantas

Ontem, ainda na saída da comissão especial que apreciava o relatório favorável à redução da maioridade penal, uma cena curiosa. Estudantes mobilizados pela Ubes, ANPG e UNE que protestavam contra a redução da maioridade penal, foram atropelados pelos deputados da bancada da bala.

Os deputados saíram do plenário da comissão especial cantando o hino nacional e adágios, como em tempos da ditadura. Os estudantes montaram uma barricada humana e se sentaram à frente. Ainda assim, os deputados forçaram e tentaram passar por cima dos jovens que estavam no local.

Em cerca de 10 a 15 minutos o embate parou quando os deputados resolveram tomar outro sentido. Foi uma vitória simbólica para os estudantes, entre as derrotas que a Câmara dos Deputados vêm impondo à sociedade brasileira, impedir deputados saudosos da ditadura de passarem e os forçando tomar outro caminho, aos gritos de “Fascistas não passarão!”.

Câmara aprova aumento de isenção tributária a igrejas

Texto, que foi incluído em medida provisória do ajuste fiscal, pode anular multas que somam mais de R$ 300 milhões

Sem alarde, a Câmara dos Deputados incluiu uma isenção tributária a igrejas em uma medida provisória (MP) aprovada no fim de maio. Segundo reportagem publicada neste sábado pelo jornal Folha de S.Paulo, o texto foi incorporado com o aval do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) – que é evangélico –, e pode anular autuações fiscais que somam mais de R$ 300 milhões.

 Foto: BBC Mundo / Copyright

Eduardo Cunha diz que medida não cria nova regra, “apenas esclarece a regra antiga”. “Do jeito que estava, dava desculpa para lavrar auto de infração contra as igrejas” Foto: BBC Mundo / Copyright

Isso porque esse “jabuti” – tema estranho inserido em MPs – livra da cobrança de impostos as chamadas “comissões” que pastores e líderes religiosos ganham por arrebanhar fiéis ou arrecadar mais dízimo. Assim, a medida beneficia principalmente as igrejas evangélicas neopentecostais, onde o pagamento de comissões a pastores é mais frequente.

A Constituição garante imunidade tributária a templos, mas os profissionais que neles trabalham e que recebem salário, incluindo os pastores, devem pagar Imposto de Renda e contribuição previdenciária sobre a remuneração. Não há, porém, tributação sobre “ajuda de custo” (moradia, transporte etc), desde que esse dinheiro seja destinado à subsistência do empregado. Muitos dos casos de sonegação religiosa, portanto, são de pastores que recebem um salário mínimo e “comissões” a título de “ajuda de custo”, que em alguns casos podem chegar a R$ 100 mil, dependendo do desempenho em atrair fiéis. Para a fiscalização, no entanto, as comissões não configuram ajuda para subsistência, e por isso os religiosos passaram a ser autuados.

O “jabuti” inserido por Cunha amplia o conceito de ajuda de custo e diz que o dinheiro não precisa ser exclusivamente para subsistência. O artigo foi incluído na MP 668 do ajuste fiscal, que trata originalmente do aumento de impostos sobre produtos importados. Para vigorar, precisa passar pela sanção da presidente Dilma Rousseff (PT).

À Folha de S.Paulo, Cunha disse que o artigo não cria uma regra nova, “apenas esclarece a regra antiga”. “Do jeito que estava, dava desculpa para lavrar auto de infração contra as igrejas”, afirmou o presidente da Câmara. A Receita Federal não quis se manifestar.

Via Terra