Parlamentares deliberam PL que proíbe a Parada do Orgulho LGBT

Na Sessão Ordinária de quinta-feira (11), os parlamentares da Câmara de Guarulhos deliberaram favoravelmente o PL 2539/2015, de autoria de Dona Maria (PT), que proíbe a realização da Parada Gay na cidade. O projeto estava no Grande Expediente e agora passará pela análise das Comissões Técnicas da Casa para depois entrar na pauta da Ordem do Dia.

A votação foi apertada: nove votos favoráveis, oito votos contrários e uma abstenção. Vários parlamentares se manifestaram sobre o projeto. Geraldo Celestino (PSDB) se mostrou contra a iniciativa e afirmou que ela fere a liberdade de expressão. “Todos os setores da sociedade têm o direito de se manifestar. Isso é garantido pela Constituição Federal. Vivemos em um país livre, democrático e laico. É um absurdo uma Câmara Municipal querer proibir a manifestação dos homossexuais”, afirmou.

Marcelo Seminaldo, líder do PT na Câmara, se posicionou contrariamente à propositura e salientou que o projeto é inconstitucional. “Agora, vamos ver se o projeto vai ter algum parecer favorável nas Comissões Temáticas. Se for para Plenário, vamos nos colocar contrariamente de novo porque é uma iniciativa inconstitucional”.

Novinho Brasil (PTN) falou que o projeto, da maneira que está elaborado, é agressivo. “Acredito que caibam emendas ou substitutivo proibindo à exposição de imagem religiosa ou o ataque à fé das outras pessoas”, destacou. O parlamentar afirmou que vai conversar com a autora para propor melhorias no projeto.

Ainda no Grande Expediente, os parlamentares deliberaram mais 30 itens. Foram 20 requerimentos pedindo informações para o Executivo sobre diversos assuntos, como obras de rede de esgoto e de pavimentação asfáltica, e mais 10 projetos, como o PL 2490/2015, de Luiz Matogrosso (PP), que dispõe sobre a obrigatoriedade de instalação de ambulatórios para pronto atendimento de primeiros socorros, com a permanência mínima de um profissional da área de enfermagem, nas escolas da cidade.

Com informação Câmara Municipal de Guarulhos

Vamos criminalizar a hipocrisia?

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Em um mundo que as imagens do calvário de transexuais chocam como se fosse uma blasfêmia, a nossa postura não deve ser o silêncio. Há séculos é isso que os e as gays, os e as trans sofrem.

O uso desabusado da metáfora do calvário durante a última parada Gay de SP constitui uma das mais importantes atitudes de nossa época. Aos cristãos que se ofenderam, algumas perguntas: Se Jesus desde sempre foi representado no mundo das artes, inclusive pelas próprias correntes cristãs, por que ele não pode ser representado como trans? Que Jesus é esse que não alcança a todos? Numa breve discussão, queremos saber qual a leitura que essas pessoas fazem dos próprios livros bíblicos que elas dizem defender. Se o tal Novo Testamento veio para substituir o Velho, com seus vícios e ocorrências, e a própria narrativa bíblica, esta editada pelo cristianismo, narra Jesus como aquele que recebeu a todos, inclusive os mais oprimidos, por que os cristãos têm tanto amor seletivo quando se trata dos homossexuais e transgêneros?

O mundo ocidental é aquele que narra e caracteriza Jesus como homem branco, de cabelo cor da neve, num purismo assustador. No entanto, aquela região onde ele supostamente viveu e onde se iniciou essa era cristã nada mais era do que uma das regiões mais mestiças do mundo. Impossível ser branco ali. Tal é a questão aqui colocada, similar à representação do cristo humanizado em O Evangelho Segundo Jesus Cristo de José Saramago. Por que os e as trans não podem usar Cristo como metáfora para denunciar esse grande calvário silencioso que todos vivemos? Isso sim deveria constranger toda essa gente. O moralismo e a moralização da vida não servem senão para ludibriar, contradizer e aniquilar o próprio discurso de amor que essas pessoas dizem ter.

A metáfora na parada gay funcionou muito bem enquanto alegoria. O Jesus trans é bem-vindo para o denuncismo constante da violência que ainda existe contra o diferente, contra o amor, o verdadeiro e constitutivo amor das relações humanas. Agora, inclusive, estão defendendo a inconstitucional criminalização da cristofobia. A cristofobia é um mito da mente fascista e homofóbica que faz do cristianismo xiita a expressão do desprezo ao diferente. Numa postura importante, a última edição da parada paulistana conseguiu levantar uma grande discussão e nos mostrar quanto o conservadorismo brasileiro atinge também os próprios homossexuais que saíram criticando a expressão artística do calvário. A esses, pedimos que se entendam melhor com a história. Por último, se há algo a criminalizar, que se criminalize a hipocrisia, esta que subjuga e maltrata todos os dias homens e mulheres na sociedade brasileira.

Gabriel Nascimento é mestrando em Linguística Aplicada pela UnB. Presidente da APG-UnB e diretor da Associação Nacional de Pós-graduandos

“Travesti crucificada” na Parada fala sobre polêmica e diz que viveu homofobia e transfobia

“Representei todas as mortes e agressões que vem acontecendo contra a classe LGBT e também por falta de leis. Jesus morreu por todos, foi humilhado, motivo de chacota, agredido e morto, é o que vem acontecendo diariamente com LGBTs”, defendeu.

A modelo Viviany Beleboni dividiu opiniões no domingo (7) ao aparecer crucificada e cheia de hematomas na 19ª Parada do Orgulho LGBT de São Paulo. Tanto por parte de fundamentalistas religiosos quanto de pessoas que compõem a diversidade sexual e de identidade de gênero. No discurso, enquanto alguns criticavam a comparação com Jesus e diziam que a manifestação estava apelativa. Outros defendiam que ela conseguiu transmitir a mensagem dos crimes que rondam a comunidade LGBT e de como ela é crucificada pela sociedade.

Em depoimento, Viviany – que é uma travesti já conhecida por trabalhos fotográficos e participações em programas de TV – declarou que a ideia não foi ofender a religião. Ao contrário, foi representar os homicídios que lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais sofrem no Brasil, baseados na ideia da crucificação diária e recorrente da cultura homofóbica e transfobia.

“Representei todas as mortes e agressões que vem acontecendo contra a classe LGBT e também por falta de leis. Jesus morreu por todos, foi humilhado, motivo de chacota, agredido e morto, é o que vem acontecendo diariamente com LGBTs”, defendeu.

Durante o percurso, Viviany diz que não pensou nas polêmicas, mas que lembrou das vários amigos que morreram vítima da homofobia e transfobia. “Chorei lembrando de amigas minhas que faleceram há alguns dias. E é por isso que digo que as críticas aparecem de quem é iludido ou nunca sentiu o preconceito”.

A modelo lamentou as críticas vindas da própria comunidade e ressaltou que o grupo é desunido. “Se fosse um homem sarado e com volume aparecendo as pessoas iriam amar, tirariam fotos e fariam comentários positivos. Dei a minha cara a tapa e sabia que isso poderia acontecer, pois é uma classe desunida”, afirmou, destacando que Madonna e Lady Gaga – divas e ícones gays – já abordaram a cruz em suas performances e foram ovacionadas.
Sobre as imagens serem fortes ou agressivas, ela diz que faz parte da composição. “Sai purpurina ou confete de agressão? É hematoma, é a realidade. O dia em que vocês sofrerem agressões, xingamentos, apanharem, que fizerem piadinhas de vocês, não reclamem e nem digam que a imagem que veem no espelho está forte”.

Via ACapa

‘Jesus Cura a Homofobia’: Evangélicos farão marcha contra a intolerância na Parada Gay

Pastores, fiéis evangélicos e católicos farão um ato contra a homofobia na Parada Gay, que acontece no domingo (7). Eles marcharão na Avenida Paulista com a missão de combater a intolerância e violência praticadas por fiéis à comunidade LGBT.

Mais de 431 pessoas já confirmaram presença na página do evento no Facebook. A marcha “Jesus Cura a Homofonia” se contrapõe à “cura gay”, projeto sugerido pelo deputado federal João Campos (PSDB-GO). Ela está marcada para às 9h30 da manhã, em frente ao Conjunto Nacional.

Com cartazes como “Somos evangélicos. Malafaia e Feliciano não nos representam”. “O maior valor bíblico é o amor” e “Deus respeita suas escolhas! Nos também respeitamos”, o objetivo do evento é protestar contra a homofobia — principalmente entre os religiosos.

Esta semana foi palco da intolerância de alguns grupos evangélicos e cristãos à comunidade LGBT. Após O Boticário divulgar sua campanha para o Dia dos Namorados, na qual aparecem casais gays, o pastor Silas Malafaia publicou um vídeo em que convoca o boicote à marca, uma vez que os gays “querem mudar um paradigma da sociedade” e que o homossexualismo (sic) é “é comportamento e não condição” e, por isso, é passível de ser condenado.

Além de Malafaia, religiosos e defensores da “família tradicional brasileira” registraram queixa no Reclame Aqui, site de reclamações de consumidores, e ao Conar, órgão que regula a publicidade brasileira.

Via Brasil Post

AO VIVO: 19º Feira Cultural LGBT de São Paulo

Com público estimado em 100 mil pessoas, a Feira Cultural LGBT já é tradição na semana da Parada. Ocupando toda a extensão do Vale do Anhangabaú, reúne mais de 80 tendas comerciais com produtos dos mais variados segmentos, como moda, acessórios, calçados, perfumes, artes plásticas, decoração, literatura, música, vídeo, artigos esotéricos, entre outros. Há também uma praça de alimentação e um setor específico para divulgação dos trabalhos de Organizações Não Governamentais (ONGs) e demais entidades que apoiam a causa LGBT.

A Feira Cultural de 2015 acontece dia 04 de Junho e terá transmissão ao vivo pela AoVivonaWeb.Tv. Com atrações da Drag Queen Dindry Buck que ministra duas oficinas gratuitas sobre prevenção e sexualidade. Outras atrações ainda são surpresa.

A Feira Cultural LGBT integra o calendário do 19º Mês do Orgulho LGBT de São Paulo, promovido pela APOGLBT, que neste ano tem o tema: Eu nasci assim, eu crescibassim, vou ser sempre assim: respeitem-me!

Em 2015 esse é o chamado da Associação da Parada do Orgulho GLBT de São Paulo que terá como diretriz em seus e eventos a alegria de viver as diferentes identidades, orientações sexuais e o respeito à diversidade. Se nas Paradas anteriores a APOGLBT fez alusão às diferentes manifestações de homofobia, neste ano o discurso oficial falará da alegria e da celebração do orgulho LGBT, sem perder o tom de protesto e de luta, mas lembrando de que a alegria e o amor também podem revolucionar o mundo.

De Gay1